sábado, 1 de novembro de 2014

Enciclopédia Francesa: A Internet do século 18 (Part.I)

Proibida pelo rei e pelo papa, a Encyclopédie levou 21 anos para ser concluída. Seu objetivo era reunir todo o conhecimento humano, mas acabou divulgando uma nova maneira de pensar

A ambiciosa ideia de organizar todo conhecimento existente em uma coleção de livros é bem anterior à Encyclopédie. No século 5 a.C., o rei Assurbanípal, da Mesopotâmia, havia ordenado aos sábios de sua corte que escrevessem um livro-síntese sobre tudo o que se conhecia até então. O resultado foram várias tábuas de madeira gravadas em escrita cuneiforme. A palavra enciclopédia vem do grego enkiklios paidéia e significa “cadeia do conhecimento”. O primeiro trabalho que reivindica essa característica em seu título é a Encyclopedia Septem Tomis Distincta de Johann Heinrich , de 1630, mais de 100 anos antes da mais famosa de todas, a versão francesa, a Encyclopédie.

Mas, se o formato não era exatamente uma novidade, o que fez a Encyclopédie de Diderot e seu parceiro, Jean le Rond D’Alembert, se tornar uma referência? Simples: ela permitiu que as idéias discutidas nos altos salões da intelectualidade chegassem ao povo.

Os enciclopedistas conduziram seus leitores a uma nova maneira de pensar, na qual a investigação e o método eram propostos como a única forma de chegar ao verdadeiro conhecimento. Aos olhos contemporâneos pode parecer pouco, mas naquele tempo os escolásticos eram os donos da verdade e, para eles, todas as respostas começavam e terminavam em uma única palavra: Deus. Na corte do rei Luís XV, dúvidas sobre a existência divina custavam a cabeça de um cidadão. Imagine escrevê-las, imprimi-las e distribuí-las para milhares de pessoas!

Para entender por que os enciclopedistas tiveram sucesso nessa aventura, é preciso levar em conta o período em que a Encyclopédie chegou às estantes: entre 1751 e 1772. Nessa época, a burguesia já era peça importante para o funcionamento da sociedade, a educação estava sendo ampliada às massas e a vida urbana (com sua agitação e possibilidades) começava a ser o modo de vida predominante na velha Europa. Diante desse cenário, o povo estava sedento por informação, que era vista como um instrumento para melhorar de vida. Só entre 1674 e 1750 foram publicados 30 livros com pretensões enciclopédicas, um número muito maior do que nos 200 anos anteriores. Esses compêndios deixavam em casa, ao alcance das mãos e dos olhos de qualquer um, parte dos conhecimentos que, até então, estavam encerrados nas bibliotecas públicas. Guardadas as devidas proporções, as enciclopédias eram para os homens e mulheres daquele período algo parecido com o que a internet é para a gente hoje.

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Fonte: http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/enciclopedia-francesa-internet-seculo-18-435636.shtml (Acessado em: 01/11/2014)

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